11.02.09

Algodãozinho do campo

Algodaozinho---flor-15     Já tive a oportunidade de andar por várias regiões do nosso cerrado, geralmente ladeado por experientes raizeiros e raizeiras que convivem e trabalham com os recursos que generosamente a natureza oferece. Com eles aprendi a abrir meus olhos e o coração para as belezas encontradas nessa típica savana brasileira de muitos desenhos, centenas de espécies medicinais que são utilizadas por seu povo generoso, simples, dotado de uma sabedoria que se reflete em sua cultura de viver completamente integrado com o ambiente que os cerca.


     Treinado para pensar de forma acadêmica, durante anos procurei manter um pé no mato e outro nos livros buscando conciliar as informações colhidas nos campos. Custei a entender que nesse universo da informalidade das informações, o sobrenatural convive pacificamente com a lógica e foi neste momento que surgiu um personagem que me ajudou a apaziguar este conflito e a utilizar melhor as plantas encontradas na natureza. Chico da Mata, homem nascido em local incerto no oco do gerais, desde menino teve seu nome associado a mata e seus mistérios, conhecendo como poucos as plantas medicinais brasileiras.
     Seu enorme chapéu cobre a cabeça pequena, que descansa em cima do corpo de pouco mais de um metro e meio de altura. Por onde passa, seus olhos miúdos percorrem tudo lentamente e aos poucos tudo desvenda, dá nome e utilidade. Assim é Chico da Mata, homem prático e dono de uma memória que até hoje me causa espanto. Habituado a percorrer longas distâncias em busca de uma raiz que pode curar uma “doença de mulher”, por exemplo, ele não esmorece e nem arreda pé do caminho até ver cumprida sua missão, que é a de curar a todos que o procuram. E não são poucos os que buscam socorro em suas milagrosas misturas.
     Numa das primeiras incursões em que tive o privilégio de acompanhá-lo, me chamou muito a atenção o Algodãozinho do campo, (Cochlospermum regium) uma planta de belíssimas flores amarelas e capuchos semelhantes ao nosso conhecido algodão, que quando maduros se abrem expondo seus alvíssimos fios brancos. Empunhando seu enxadão de cabo curto, bem adaptado ao seu tamanho, ele cavou ao redor da planta até dar conhecimento prá onde caminhava sua raiz e aos poucos fez surgir algo semelhante a uma mandioca recoberta por uma casca enegrecida, onde dentro se via uma massa branca e macia. Chico me confidenciou que “essa raiz é a primeira a ser lembrada no preparo de qualquer remédio que trate de inflamação de útero e ovário”.
     Com meu outro pé nos livros, descobri que ela também tem grande potencial antioxidante, é indicada no tratamento da gastrite, úlcera péptica, processos inflamatórios na próstata, feridas internas e externas, além de ação laxante e atividade depurativa do sangue. Experimentos comprovam seus efeitos analgésicos, boa atividade antibacteriana e significativa diminuição dos quadros de edema, além de baixa toxicidade. Foi através desta planta que tão bem atende aos incômodos femininos que iniciei uma duradoura e respeitosa amizade com esse valente geraizeiro.

Polvilho das raízes de Algodãozinho
     Primeiramente as raízes são raladas e a massa apurada é lavada em água. Em seguida essa massa é espremida num pano limpo para obtenção de uma espécie de leite ralo, que é deixado descansar até que o amido se junte no fundo da vasilha e a água que fica por cima seja escorrida. O polvilho ainda úmido é levado para secar diretamente ao sol e depois de já seco, a recomendação é utilizar uma colherinha de café diluída em meio copo de água após as refeições para combater a inflamação de útero e ovário.

Agenda.

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Histórias do sertão

Diarréia no Sertão
15/06/2013 | Marcos Guião
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Acordei num domingo bem cedo, e me deparei com uma montanha de vasilhas na pia da cozinha. Enquanto o movimento da casa ainda tava mortiço, decidi encarar o serviço e aos poucos fui lavando, aproveitando prá colocar as idéias no lugar. De repente, senti uma dolorida ferroada nas costas, mas com as mãos cheias de sabão, o máximo que consegui fazer, foi tentar dar uma coçada no local com o cotovelo, sem muito sucesso. Num dilatou muito e comecei a me sentir mal, com calafrios, febre e uma moleza incontrolável. De cama por um tempo, fiquei matutando o que estaria me provocando tamanho desconforto e não cheguei a uma resposta convincente. Somente daí alguns dias concluí que possivelmente uma aranha havia me picado, bicho com uma peçonha medonha. Isso me custou um bocado de pajelanças, e demorei até me safar razoavelmente bem dessa história. Mas ficou uma “rema”, e durante os dois meses seguintes, de repentemente me dava uma falta de energia imensa e eu mal conseguia ficar de pé. Aquilo vinha s [ ... ]


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