05.12.08

Jatobá

Jatoba---Hymenaea-stigonocaDurante uma viagem ao estado do Pará, tive a oportunidade de vivenciar uma das mais ricas experiências de minha vida de raizeiro. A floresta amazônica na região do Rio Capim encanta a todos com suas belezas, mistérios e lendas. Foi com um mateiro da região e mais uma amiga que decidimos sair do acampamento onde nos encontrávamos para buscar o afamado “vinho de jatobá”.

Raimundo, o mateiro, não estava lá muito satisfeito com aquela pequena aventura, pois ele considerava nosso esforço quase sem sentido, uma vez que estávamos acompanhados de uma mulher, o que de acordo com as crenças locais faz a árvore “esconder” o vinho!!! Fiquei espantando com tamanho poder atribuído as mulheres da região. Mas mesmo assim seguimos em frente até uma clareira rodeada de enormes árvores, onde paramos em frente a um gigantesco Jatobá (Hymenaea caubaril).

Diante do tronco maciço, Raimundo empunhou seu trado, uma espécie de furadeira manual, e iniciou a perfuração procurando chegar até o centro do caule, onde corre o “vinho” ou a seiva bruta que alimenta a árvore. Uma nuvem de mosquitos literalmente estava transformando nossa modesta expedição num inferno, quando de repente Raimundo grita: “Óia o vinho seu moço!”

 

Rapidamente colocamos um balde logo embaixo do furo para aparar uma verdadeira cascata escura que jorrava aos borbotões. Conseguimos coletar quase 7 litros do vinho, que de acordo com Raimundo, só desceu porque “a menina não tava menstruada...” Cuidadosamente ele cortou um galho fino de uma árvore, fez tipo uma rolha e tampou o furo, dizendo que no ano seguinte poderia voltar para buscar mais.

De sabor terroso e adstringente, a este vinho são reputadas inúmeras propriedades medicinais, principalmente aquelas ligadas à impotência sexual e aos problemas de fraqueza física e respiratória. A indicação é de uma colher de sopa duas e três vezes ao dia para os adultos e metade da dose para crianças ou idosos.

Outra parte do Jatobá muita utilizada é sua resina, que tem aspecto vítreo amarelado. Colhida diretamente no tronco, ela não se dissolve na água e tradicionalmente é moída até se transformar num pó bem fino e adicionado a um ovo quente, aquele ovo cozido, mas que ainda mantém sua gema amolecida. Toma-se em jejum nos casos de bronquite, asma, pneumonia e até tuberculose. Basta uma pitada deste pó, não mais que isso. Quando ocorre fratura de ossos ou ferimentos graves, este mesmo pó da resina é colocado sobre um pano encharcado com água, de morna para quente e colocado sobre a parte afetada, amarrando bem. Secando, forma-se uma placa rígida, que só se solta depois que os ossos estiverem solidificados ou o ferimento cicatrizado.

 

Receita de Bolo dos Frutos do Jatobá

Dos frutos raspa-se a farinha, mas como ela é meio grudenta, pode ser necessário levá-la ao pilão ou usar o liquidificador para quebrar os grumos duros. Separe uma xícara e meia dessa farinha, adicione outra xícara e meia de fubá de milho de moinho d`água, uma colher de sopa de fermento, acrescente 3 ovos, uma pitada de sal, três colheres de manteiga, uma xícara de melado e misture tudo numa bacia, batendo bem. Despeje numa forma de bolo untada e polvilhada, levando ao forno com temperatura média e deixe por aproximadamente por 40 minutos. Sirva essa delícia com um cafezinho bem quente. Bão demais!

 

Receita fornecida por D. Dos Anjos, de São Francisco (MG)

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Práticas na Terra

De 4 a 7 de junho de 2015

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Histórias do sertão

Diarréia no Sertão
15/06/2013 | Marcos Guião
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Acordei num domingo bem cedo, e me deparei com uma montanha de vasilhas na pia da cozinha. Enquanto o movimento da casa ainda tava mortiço, decidi encarar o serviço e aos poucos fui lavando, aproveitando prá colocar as idéias no lugar. De repente, senti uma dolorida ferroada nas costas, mas com as mãos cheias de sabão, o máximo que consegui fazer, foi tentar dar uma coçada no local com o cotovelo, sem muito sucesso. Num dilatou muito e comecei a me sentir mal, com calafrios, febre e uma moleza incontrolável. De cama por um tempo, fiquei matutando o que estaria me provocando tamanho desconforto e não cheguei a uma resposta convincente. Somente daí alguns dias concluí que possivelmente uma aranha havia me picado, bicho com uma peçonha medonha. Isso me custou um bocado de pajelanças, e demorei até me safar razoavelmente bem dessa história. Mas ficou uma “rema”, e durante os dois meses seguintes, de repentemente me dava uma falta de energia imensa e eu mal conseguia ficar de pé. Aquilo vinha s [ ... ]


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